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Fontes Arquivísticas

Arquivo Privado: Partituras da Lira Ceciliana.
Sede. Prados/MG.

Endereço
Rua Coronel João Luis Nº 0143. Bairro Centro.
Distrito
Sede.
Município / Estado
Prados / MG
Propriedade
Privada particular - Sociedade Civil Lira Ceciliana.
Subordinação administrativa
Arquidiocese de Mariana.
Restrição de acesso
Não.

Imagens

Cartografia

Horário de atendimento

Sob agendamento.

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Histórico

Existem referências que apontam atividades musicais em Prados nos começos do século XVIII. Há notícias de músicos que foram contratados para tocarem durante as comemorações religiosas – o mais comum era no decorrer da semana santa. É provável que músicos viessem de localidades vizinhas e, juntos com seus instrumentos, trouxessem também, anotações de partituras.

No século XVIII e parte do XIX, a atividade musical era vista no Brasil como uma ocupação manual, coisas para pobres, libertos e pardos. Ainda não havia ocorrido o enobrecimento dos ofícios ligados à música, que se deu durante o século XIX, quando tocar determinados instrumentos e executar certas composições tornou-se um elemento de distinção social.

Mas, a música, nunca deixou de ser uma forma de sustento para algumas pessoas que, de um modo geral, eram mediamente instruídas, ligadas as camadas intermediárias, embora nem sempre tivessem a renda dessas. Era de praxe que cada músico tivesse suas próprias partituras.

Quando encontrava alguma composição que o interessava, fazia (ou pagava alguém para fazer) uma cópia. Portanto, os primeiros documentos musicais que circulavam por Prados, eram de particulares. Não se sabe quem foram os primeiros a introduzi-los na região, mas é certo que, com o passar do tempo alguns músicos fossem colecionando essas composições, que passavam de mãos em mãos.

Sabemos de alguns músicos que exerceram esse ofício na cidade e, certamente, foram autores ou copistas de algumas das partituras mais antigas. Em 1716, trabalhava em Prados, com essa ocupação, o músico João Ribeiro. Em 1799, Manoel Bernardes Espínola de Castro, era outro que vivia da atividade musical. Conhecido por ter uma boa caligrafia, provavelmente fez algumas cópias de partituras que circularam entre os músicos pradenses.

Outros havia que, além de copistas e músicos, também eram compositores. Seria esse o caso de Joaquim de Paula Souza (1782? -1842) que, na virada do século XVIII para o XIX, compôs várias sinfonias1.Como as partituras tinham um sentido de propriedade particular, quando o dono falecia os destinos que poderiam ter eram muitos, desde ser vendidas ou doadas pelos herdeiros até serem colocadas em um canto e esquecidas.

Desde o começo dos oitocentos, concertos domésticos já eram comuns no Rio de Janeiro, ao longo das décadas essas práticas foram se intensificando em partes mais distantes do Brasil. Na literatura do XIX há muitas passagens que nos instigam a pensar a presença da música no cotidiano dos grupos hegemônicos e das camadas populares.

Pensemos no livro de Joaquim Manuel de Macedo, A Moreninha (1844), no qual há algumas passagens que fazem menção a um salão e ao som do piano, instrumento das camadas médias e altas. Em eventos como esse, não era raro que as moças casadoiras executassem composições para exibir seus dotes e encantos.

Entre as aulas de francês e costura, também aprendiam a ler partituras. Já em Memórias de um Sargento de Milícias (1854-1855), de Manuel de Almeida, temos a chance de vislumbrarmos como o escritor entendeu a importância da atividade musical no interior das “classes populares”. Não é o piano, mas a viola e o batuque que estão presentes nas comemorações e reuniões. Uma última citação também nos ajudaria a compreender o lugar da música nas sociabilidades oitocentistas.

Tomemos a literatura de Machado de Assis, no qual os salões, as pianistas e os professores de músicas são freqüentes. Em um conto do final do século XIX, Um homem célebre, o autor narra as aflições de um compositor e professor que ficou conhecido por uma única peça, uma polca, que era repetida tanto nos salões quanto entre os populares.

Havia 20 anos que a partitura da música era vendida e ainda continuava em moda. A ironia dessa história é que a polca era então considerada um gênero menor, daí o desespero do compositor ao ser “imortalizado” por essa composição. As várias referências encontradas na literatura apontam para uma presença disseminada do universo musical.

Os escritores falavam sobre práticas que eram conhecidas por seus leitores. Na verdade era necessário que se narrassem os concertos e saraus, de modo a familiarizar o leitor com a cena que se seguiria. Percebe-se também que as músicas se tornavam independentes das atividades religiosas, sendo muitas vezes revestidas de um tom brejeiro, quase sensual.

Essas digressões nos ajudam a entender o lugar das partituras, indispensáveis para quem quisesse tocar ou ouvir uma música, pois ainda não existiam mecanismos para reprodução musical. Entende-se, portanto, porque no acervo musical da Lira Ceciliana, boa parte da documentação são de melodias profanas. A atividade musical sempre foi presente na cidade, entretanto em 1858 ela se institucionalizou através da criação da Lira Ceciliana, fundada pelo alfaiate José Estevão da Costa.

O nome da associação é uma referência a Santa Cecília, padroeira dos músicos, indicativo da persistência da religiosidade entre os pradenses. Curioso constatar que a Lira foi fundada justamente por um não músico, o que nos sugere que havia um número razoável de instrumentistas na cidade, mesmo que exercessem outras profissões.

Em Prados, também já existiu outra sociedade, chamada de Euterpe Pradense. Em 1874, seu diretor era Francisco Augusto Teixeira da Fonseca, já o professor da instituição era José Estevão da Costa. Sabe-se que essa sociedade contava com 34 sócios2.

A força da música em Prados se verifica pelo fato de haver mais de uma associação de música. Sabe-se que nos eventos sociais que ocorriam na cidade, a presença de músicos era comum. Em 1920 um coreto para apresentações musicais foi construído na cidade. O estudioso Dario Vale fala de um evento musical ocorrido em 17 de março de 1932, quando no salão de festas do Pradense Clube foi orquestrado algumas peças de importantes compositores internacionais3.

Ainda não havia um espaço físico definido para a Lira e, portanto, as partituras continuaram nas mãos dos seus executores, mas agora com uma diferença: parte da documentação passou a se concentrar nas mãos do presidente da associação. Em 1889, José Estevão, aos 46 anos de idade, faleceu, sendo a presidência da Lira assumida por seu filho, Antônio Américo da Costa, que por 55 anos dirigira a instituição. Natural de Prados, Antônio Américo nasceu em 23 de março de 1867.

Em 1889 se formou na Escola Normal de São João del Rei. Em 1890 se casou com Maria José Rodrigues Teixeira Valle, com quem teve 14 filhos. Os primórdios da Lira como estabelecimento educativo remontam a sua direção, pois construiu em sua própria residência uma escola, na qual, gratuitamente, eram ensinadas disciplinas escolares e lições de música4.

Além de violinista e pianista era compositor, sendo que várias partituras suas se encontram, atualmente, no acervo da Lira. Suas composições ainda são executadas pelos integrantes da instituição. Foi presidente da Ceciliana até 1944, pouco antes de seu falecimento. Durante todo esse período o acervo de partituras cresceu substancialmente.

Desde sua fundação a Lira esteve ligada a família Costa. Tanto é assim que, em 1944, assume a presidência da Lira Ceciliana, Adhemar Campos Filho, neto de Antônio Américo da Costa e filho de Maria José da Costa e Adhemar Campos. Adhemar Campos Filho, nascido em 1926, sabia tocar vários instrumentos e era professor de matemática.

Compositor e regente, lecionou no Conservatório de São João del Rey e participou de eventos na Bienal de Música de São Paulo. Prestou consultoria a Dwight Middelbrook, sediada em Denver, que pretendia produzir programas televisivos sobre a música sacra mineira.

Também participou do processo de montagem de partituras para a FUNARTE, entre outras tantas atividades. Veio a falecer em 1997, tendo ficado até essa época na direção da Lira Ceciliana. Foi Adhemar Campos Filho quem, em 1975, realizou os primeiros contatos com os músicos de São Paulo. Em conjunto com um maestro da USP, George Olivier Toni, realizou pesquisas sobre a música mineira. Em 1977 surgia o Primeiro Festival de Música de Prados, uma parceria entre os pradenses e o Departamento de Música da USP, evento que em 2005 completou a sua 28ª edição.

Foi durante a regência de Adhemar Campos Filho que o prédio para abrigar a Lira foi construído. Era consenso que as manifestações musicais orquestradas pela associação era um patrimônio de Prados e, portanto, deveria receber um espaço adequado para que suas atividades fossem desenvolvidas. O terreno para a edificação da sede foi doado pela prefeitura através de projeto de lei, datado de 15 de outubro de 1958 e proposto pelo vereador Adalberto Vale.

A construção terminou nos finais da década de 1970. O projeto arquitetônico foi autoria de Antônio Pontes Trévia. A intenção era construir um prédio que remetesse ao período colonial, por isso a casa foi construída de modo que não descaracterizasse os sobrados e casarões em seu entorno.

Para viabilizar essa obra, a Lira fez parceria com a Prefeitura Municipal de Prados, contando também com o financiamento e patrocínio da FUNART, Xerox do Brasil e Fundação Roberto Marinho. Em 1982, na gestão do prefeito Gil Possa, a obra foi concluída. As festividades de inauguração ocorreram em 31 de julho, como parte do projeto Música Sacra nos Campos das Vertentes.

O evento contou com a participação de representantes da FUNARTE e do Ministério de Cultura e Educação, da Xerox e Fundação Roberto Marinho, além da presença das prefeituras vizinhas e do governo de Minas Gerais; participaram também das solenidades músicos paulistas. Com a construção do edifício, todo o material da Lira Ceciliana pôde ser centralizado em um mesmo local.

A atual sede passou a ser utilizada para reuniões e ensaios entre os membros. Também são ofertados cursos de iniciação musical à comunidade, como forma de renovar e recompor o quadro de músicos da instituição. Uma vez construído o edifício, a família Costa entregou a documentação que estava sob sua posse desde a segunda metade do século XIX.

Foi após inauguração da sede da Lira que o arquivo propriamente se formou. Até então, a documentação estava espalhada, ficava na casa de parte dos integrantes. Uma vez formado o arquivo, o recebimento de novas partituras continuou, portanto a data-limite de sua documentação se situa em dois extremos, a partitura mais antiga é de meados do século XVIII e, a mais recente, do ano de 2005.

Parte do acervo está sendo digitada em computadores, para que seja possível tocar as sinfonias sem manusear o documento original, uma forma de conservar seu estado. As condições das partituras são diversificadas, parte precisa de reparos técnicos, mas, de um modo geral, a documentação se encontra em um estado que vai de razoável a bom. O atual regente da Lira Ceciliana se chama Adhemar Campos Neto e o presidente Aureliano Magela de Resende.

No acervo da Lira Ceciliana se encontram partituras de músicas sacras e profanas, para orquestras e corais, assim como também existem composições para bandas. O acervo possuiu tanto obras da música barroca mineira quanto de compositores europeus ainda hoje aclamados.

Notas

1. CARVALHO, p. 355-359.

2. VALE, p. 357.

3. VALE, p. 358.

4. COSTA, p.17-19.

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Datação

Finais do século XVIII a 2005. (Não existe uma data precisa para o primeiro documento já que se trata de uma partitura cujo copista é desconhecido.)

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Estágio de organização

Organizado parcialmente / caixas, estantes.

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Conteúdo

Partituras musicais.

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Instrumento de pesquisa

Índices.

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Tipo de cópia fornecida

Não há.

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Tipo de suporte documental

Textual (impresso e manuscrito).

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Mensuração / quantificação

4 Arquivos / com 4 gavetas cada – 41,8 cm de altura; 29 cm de largura / 1 armário – 83,5 cm de altura;  39 cm de comprimento / 5 prateleiras.

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Estado de conservação

Bom.

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Informações complementares

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E DOCUMENTAIS:

COSTA, Átila Alves e. Reminiscências: Antônio Américo da Costa. 50 anos depois de sua morte. Belo Horizonte: Inédita, 1995.

Prados, o passado no presente. Escola Estadual Dr. Viviano Caldas. Prados, s.d.

VALE, Dario Cardoso. Memória histórica de Prados. 2ª edição. Belo Horizonte: Armazém de Idéias, 2000.Prados: s/d.

 

REFERÊNCIAS ORAIS:

Aureliano Magela de Rezende. Entrevista, out/2005.

Paulo de Carvalho Valle. Entrevista, out/2005.

 

PROTEÇÃO LEGAL:

Tombamento Municipal: Decreto nº 1.373 de 24 de março de 2006.

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Ficha técnica

RESPONSÁVEL PELAS INFORMAÇÕES: PREFEITURA MUNICIPAL DE PRADOS/MG.

Levantamento (Set/2005): Daniel Fonseca e Silva de Carvalho (Diretor do Dep. Municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer de Prados) / Davidson de Oliveira Rodrigues (Historiador) / Guilherme Maciel Araújo (Arquiteto Urbanista) / Hilário Figueiredo Pereira Filho (Historiador) / Leandro Teixeira de Carvalho (Assessor de Assuntos Culturais – Dep. Municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer) / Patrícia Soares Pereira (Arquiteta Urbanista).

Elaboração (Nov/2005): Davidson de Oliveira Rodrigues (Historiador) / Guilherme Maciel Araújo (Arquiteto Urbanista) / Hilário Figueiredo Pereira Filho (Historiador) / Patrícia Soares Pereira (Arquiteta Urbanista).

Revisão (Abr/2006): Memória Arquitetura.

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