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BENS INVENTARIADOS

Estruturas Arquitetônicas e Urbanísticas

Edificação à Avenida Fernando Costa nº 0035.
Sede. Itanhandu/MG.

Endereço
Avenida Fernando Costa Nº 0035.
Distrito
Sede.
Município / Estado
Itanhandu / MG
Propriedade
Privada particular - Zilah Costa Figueiredo Mota.
Responsável
Walter Figueiredo Mota.

Situação de Ocupação

Próprio.

Uso atual

Residencial.

Imagens

Cartografia

Análise de entorno

A Av. Fernando Costa é uma via lindeira aos trilhos da ferrovia, inicialmente conhecida como R. do Comércio. Até os dias de hoje a rua apresenta um intenso uso comercial próximo ao prédio da antiga estação ferroviária e, principalmente, no entorno da estação rodoviária, que se aliam, algumas vezes, ao uso residencial nos antigos sobrados de uso misto. O primeiro Hotel de Itanhandu (atualmente denominado Hotel Casarão) foi erguido nesta rua, em razão da proximidade com a estação ferroviária. O uso especificamente residencial instala-se principalmente no início da avenida, próximo ao encontro com o Rio Verde. Neste trecho, destaca-se a Praça “Joaquim Figueiredo” e o encontro entre os rios Verde e Passa Quatro, mais a frente. As construções se restringem a um dos lados da rua.

Quanto à implantação das edificações, a maioria delas encontra-se alinhada à rua, sem afastamentos laterais e frontal. Poucas residências apresentam recuos, estes ocupados por jardins na maioria das vezes. O fechamento dos lotes ocorre por meio de muros e gradil metálico. A volumetria dos prédios varia entre um e dois pavimentos, podendo chegar até três andares, como é o caso do Chalé Português, porém, predomina imóveis de dois pavimentos.

A avenida tem tráfego intenso de veículos e de pedestres – com exceção do quarteirão próximo ao Rio Verde – por ser uma via de chegada à cidade desde os primórdios e por concentrar vários prédios comerciais, instituições financeiras (bancos) e correio. É uma via de mão dupla com estacionamento de ambos os lados que se estreita no entorno do chalé e pavimentação em blocos de concreto sextavado. As calçadas têm cerca de 1,5m de largura e são revestidas de vários materiais, principalmente concreto.

Serviços de infra-estrutura urbana como água tratada, rede de esgoto, energia elétrica e coleta de lixo estão presentes em todos os imóveis. A via é provida ainda de sinalização de trânsito e placas com denominação das ruas. A arborização da rua é escassa, concentrada principalmente nas praças e em áreas remanescentes não ocupadas por edifícios.

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Histórico

O imóvel foi construído por Adelino Esteves na primeira década do século XX. Segundo a documentação do Cartório de Registro da cidade de Pouso Alto (na época, sede da localidade itanhanduense) o português Joaquim Figueiredo, casado com Maria Figueiredo, adquiriu o imóvel do casal Brasiliano Midões e Heliodora Midões no dia 06 de abril de 1913. Parentes afirmam que a saída do sr. Joaquim de Portugal significou, na realidade, uma fuga do serviço obrigatório a ser prestado ao Exército. Sendo assim, o imigrante se estabeleceu na cidade de Itanhandu – especificadamente em uma área próxima à Estrada Real – onde edificou um chalet que reproduzia características arquitetônicas alusivas às suas raízes lusitanas.

Aos fundos do terreno, Joaquim construiu um armazém voltado para a produção de fumo, atividade típica na região. Apesar de sempre ter exercido a função de residência, a casa abrigou também uma fábrica de bebidas – vinho e conhaque – que posteriormente passou a produzir o primeiro guaraná das redondezas. O refrigerante “Guaraná Rádio” foi comercializado numa área de abrangência que ia de Aparecida do Norte a Alfenas. O imponente imóvel revela detalhes curiosos como a presença de uma escada de cerca de 150 anos, transferida de um palacete paulista em demolição na década de 1960. Atualmente, o chalet português encontra-se no nome de Zilah Costa Figueiredo Motta. A edificação apresenta muitas de suas características originais, mas sofreu danos com as enchentes da região em fins do século XX. Concomitantemente, ela se encontra desprovida de rede de esgoto e apresenta principalmente problemas de cupim e infiltração.

Notas

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Descrição

A edificação de uso residencial está implantada em terreno em declive, alinhada à rua e com acesso lateral por portão de ferro fundido. O cercamento do lote é feito em parte pela própria edificação, por edifícios vizinhos e por cerca de arame. A parte posterior do terreno, voltada para o Rio Verde, não possui qualquer tipo de fechamento e tem uma grande área gramada, com algumas árvores de médio porte. Este local já sofreu inundações algumas vezes em época de chuvas intensas, devido ao transbordamento do leito do rio.

A volumetria do prédio é vertical, composta por dois pavimentos de pé-direito alto. O sistema construtivo utilizado foi a alvenaria autoportante de tijolo assentado com cimento inglês sobre embasamento de pedras extraídas nos fundos do próprio terreno. De acordo com descrição da ficha de inventário entregue ao IEPHA em 1998, as paredes de vedação do primeiro pavimento têm 42 cm de espessura, enquanto que aquelas do pavimento superior apresentam 25 cm. As divisões internas do segundo andar são em pau-a-pique feitas de ripa de coqueiro. A cobertura é composta por duas águas, desenvolvendo-se de forma independente no volume principal, mais alto – com beirais cobertos por guarda-pó – e no bloco posterior, mais baixo – com beirais aparentes. O manto é coberto por telhas francesas e o engradamento é em madeira. Uma pequena porção do primeiro pavimento é coberta por telhas de amianto. Antigamente, os beirais da fachada principal eram contornados por lambrequins, não mais existentes.

A fachada frontal tem composição simétrica diferenciada para cada pavimento. No primeiro, três aberturas circulares com fechamento em vidro e ferro substituíram as portas da antiga fábrica, mantendo-se, no entanto, os enquadramentos e sobrevergas em massa. O segundo andar é composto por duas portas de duas folhas de madeira e vidro, com bandeiras em vidro, ladeadas por uma janela em guilhotina externa e duas folhas de madeira internas. As aberturas têm vergas retas, enquadramentos e sobrevergas simples em massa. Uma sacada projeta-se sobre o passeio com guarda-corpo em gradil de ferro fundido. Na empena do telhado, duas pequenas aberturas em arco pleno conformam réplicas de portas com folha única em madeira, bandeira e guarda-corpo em gradil de ferro. No centro dessas aberturas há um relevo em forma de concha ornamentando a fachada.Internamente, a planta desenvolve-se em partido retangular com acréscimo de volume posterior de dimensões reduzidas na década de 1960.

O primeiro andar do volume principal, originalmente ocupado pela fábrica de bebidas, foi subdividido para abrigar uma sala com dois ambientes (jantar e estar), banheiro, quarto de empregado e copa. Nos fundos (volume mais baixo) tem-se uma cozinha, banheiro e espaço com fogão a lenha e área de serviço. O segundo pavimento é composto por cinco quartos – um deles utilizado como cozinha em tempos remotos –, uma saleta e um banheiro. No volume posterior, uma varanda coberta com sala de costura tem entrada independente a partir de escada externa, sem ligação com o interior do outro volume. Vários pisos, correspondentes a diferentes épocas, são encontrados no interior da residência.

A sala principal é revestida por tabuado de madeira, os banheiros e quarto de empregado por cerâmica, a copa tem piso de ladrilho e os demais ambientes do primeiro pavimento são revestidos por pedra. No segundo andar do volume principal o piso, que simultaneamente tem função de forro, é de tabuado de peroba com barrotes aparentes de pinheiro de araucária. No volume posterior, a laje em cimento armado que divide os dois pavimentos funciona como piso para o andar superior, sem revestimento. O banheiro e o quarto de empregado do volume principal recebem forros de lambri de madeira.

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Proteção legal

Nenhuma.

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Estado de conservação

Regular: o estado de conservação da residência é regular. Uma trinca na fachada lateral direita demonstra problema que, de acordo com o atual morador, é causado por vazamento no encanamento do banheiro e pode estar causando movimentação no embasamento do edifício. Esta patologia demanda análise de profissional especializado e intervenção indispensável. As janelas apresentam ataque de insetos xilófagos e pintura desgastada, necessitando de reparos. A pintura externa da casa precisa ser refeita, foi apresenta sujidades, manchas e desgaste. O reboco, em pontos específicos, mostra descolamento.

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Fatores de degradação

Os principais fatores de degradação do imóvel dizem respeito à ação de intempéries, desgaste natural dos materiais e falta de manutenção periódica da edificação. Além disso, as inundações também provocaram danos no interior e exterior do prédio.

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Medidas de conservação

Deve-se inspecionar constantemente as telhas e calhas, a fim de evitar goteiras e infiltrações, principalmente nos períodos chuvosos;

Imunização de todo madeiramento;

Providenciar tratamento e limpeza de elementos com apodrecimento ou presença de mofo e infestação de cupim;

Não substituir qualquer elemento de composição e/ou estrutural sem antes a avaliação de um técnico especializado;

Inspecionar constantemente as áreas de risco e os ambientes para verificação de curtos e focos de incêndio;

Não realizar ligações elétricas improvisadas e, quando necessário, consultar um técnico especializado;

Realizar manutenção periódica das instalações hidráulico-sanitárias;

Evitar fixar quadros informativos, objetos e equipamentos com permanência constante que possam interferir na composição estética do bem.

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Intervenções

No ano de 1963, diversas intervenções foram realizadas na residência após a extinção da antiga fábrica de bebidas. Na fachada frontal, as três portas existentes foram substituídas por janelas circulares de vidro. A entrada passou a ser lateral e uma escada de madeira foi instalada no interior do prédio, interligando os dois pavimentos. A escada lateral externa que fazia o acesso à residência foi demolida. O piso térreo cimentado recebeu assoalho de madeira. Nesta mesma época foi construído o acréscimo na parte posterior do edifício. Em 1966, o engradamento do telhado foi substituído.

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Referências

BIBLIOGRÁFICAS E DOCUMENTAIS:

CHING, Francis D. K. Dicionário visual de Arquitetura. São Paulo: Martins Fontes, 2003. 319p.

Inventário de Proteção do Acervo Cultural de Itanhandu. Ano de entrega ao IEPHA: 1998.

Escritura pública de Compra e Venda, consultada no Livro de Registro de Imóveis de Pouso Alto. Livro 3C, Registro n. 2.707, fls. 25.

 

ORAIS:

Antônio Figueiredo Pereira. Entrevista, jan / 2006.

Walter Figueiredo Mota Filho. Entrevista, jul / 2005.

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Informações complementares

Sem referências.

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Ficha técnica

RESPONSÁVEL PELAS INFORMAÇÕES: PREFEITURA MUNICIPAL DE ITANHANDU / MG.

Levantamento (Jul / 2005): Daniele Gomes (Arquiteta Urbanista) / Gabriela Gontijo (estagiária de turismo) / Éttore Cotini Filho (Presidente da Fundação Itanhanduense de Cultura) / Hilário Figueiredo (Historiador) / Luciana Souza (Historiadora).

Elaboração (Dez / 2005): Daniele Gomes (Arquiteta Urbanista) / Luciana Souza (Historiadora).

Revisão (Dez / 2005): Memória Arquitetura.

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