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BENS INVENTARIADOS

Estruturas Arquitetônicas e Urbanísticas

Edificação à Avenida Fernando Costa nº 0205.
Sede. Itanhandu/MG.

Endereço
Avenida Fernando Costa Nº 0205.
Distrito
Sede.
Município / Estado
Itanhandu / MG
Propriedade
Privada particular – Vera Lúcia Esteves.
Responsável
Vera Lúcia Esteves.

Situação de Ocupação

Próprio.

Uso atual

Comercial.

Imagens

Cartografia

Análise de entorno

A Av. Fernando Costa é uma via lindeira aos trilhos da ferrovia, inicialmente conhecida como R. do Comércio. Até os dias de hoje a rua apresenta um intenso uso comercial próximo ao prédio da antiga estação ferroviária e, principalmente, no entorno da estação rodoviária, que se aliam, algumas vezes, ao uso residencial nos antigos sobrados de uso misto. A R. Dr. Olavo G. Pinto, exclusiva para o trânsito de pedestres também concentra muitos prédios comerciais. O primeiro Hotel de Itanhandu (atualmente denominado Hotel Casarão) foi erguido nesta rua, em razão da proximidade com a estação ferroviária. O uso especificamente residencial instala-se principalmente no início da avenida, próximo ao encontro com o Rio Verde.

Quanto à implantação das edificações, a maioria delas encontra-se alinhada à rua, sem afastamentos laterais e frontal. Poucas residências apresentam recuos, estes ocupados por jardins na maioria das vezes. O fechamento dos lotes ocorre por meio de muros e gradil metálico. A volumetria dos prédios varia entre um e dois pavimentos, podendo chegar até três andares, como é o caso do Chalé Português, porém, predomina imóveis de dois pavimentos.

A avenida tem tráfego intenso de veículos e de pedestres – com exceção do quarteirão próximo ao Rio Verde – por ser uma via de chegada à cidade desde os primórdios e por concentrar vários prédios comerciais, instituições financeiras (bancos) e correio. É uma via de mão dupla com estacionamento de ambos os lados e pavimentação em blocos de concreto sextavado. As calçadas têm cerca de 1,5m de largura e são revestidas de vários materiais, principalmente concreto.

Serviços de infra-estrutura urbana como água tratada, rede de esgoto, energia elétrica e coleta de lixo estão presentes em todos os imóveis. A via é provida ainda de sinalização de trânsito e placas com denominação das ruas. A arborização da rua é escassa, concentrada principalmente nas praças e em áreas remanescentes não ocupadas por edifícios. De alguns pontos da via, no cruzamento com outras ruas, é possível avistar a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição.

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Histórico

O imóvel que hoje abriga o ‘Hotel Casarão’ fora construído em finais da primeira década do século XX; segundo o entrevistado João Esteves da Fonseca, as obras transcorreram entre os anos de 1907 a 1910. Anteriormente, havia no local um terreno baldio, cujos desejos de mudanças acabaram sendo explicitados pelo fazendeiro Nicolau Scarpa. Tal homem era um dos principais dinamizadores da incipiente localidade de ‘Barra do Rio Verde’, sendo responsável por várias edificações na futura cidade. O bem em estudo acabou consistindo em mais um desses projetos: desde  o  início planejou-se edificar  um prédio que funcionasse como abrigo para os caixeiros e tropeiros que circulavam pelas estradas dessa região sul-mineira. Tendo em vista que a estação ferroviária se situava bem próxima ao imóvel, tão logo o movimento passou a garantir uma boa clientela para o então denominado ‘Hotel dos Viajantes’. Este estabelecimento era bastante diferente da planta arquitetônica contemporânea, na medida em que se dispunha em um casario simples e mais recuado. No ano de 1928 houve significativas mudanças, tendo na ampliação da área construída a principal alteração, além da extensão da fachada até a calçada; porém, manteve-se a sólida base de pedras sobrepostas.

Em meados do século XX o nome foi alterado para ‘Hotel Itanhandu’, explicitando uma clara homenagem à municipalidade conquistada; nesse momento a propriedade ficara a cargo do senhor Antônio Moura Leite, mais tarde transmitida ao seu filho Domingos Moura Leite. Algumas reformas aconteceram nesse espaço de tempo que permeou aproximadamente cinco décadas: troca do telhado e engradamento; fechamento da entrada de uma escada exterior; e substituições de alguns revestimentos de pisos e paredes.

 A partir de 1984 a proprietária passou a ser a senhora Maria Helena Brigante Esteves; a denominação alterou-se para ‘Hotel Casarão’, sendo também significativas as modificações físicas-estruturais dois anos mais tarde: diminuição de quinze para doze quatros de hóspedes; realocação do banheiro coletivo; mudança da portaria principal para a entrada da avenida Fernando Costa. Por fim, interessa registrar as periódicas pinturas que conseguiram manter um ótimo estado de conservação desse bem itanhanduense, o qual ainda se caracteriza bastante pelo seu caráter simples, acolhedor e aconchegante.

Notas

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Descrição

O Hotel Casarão, antigo Itanhandu Hotel, é uma edificação que se destaca no cruzamento da Av. Fernando Costa com a R. Tiradentes, acompanhando a esquina através de um chanfro no encontro entre as duas fachadas. O terreno onde se localiza é praticamente todo ocupado pelo edifício, com poucos vazios em sua porção posterior. Alinhada às vias públicas, a edificação possui duas entradas de acesso ao interior: a primeira, acima do nível da rua, localiza-se na esquina – no plano chanfrado – pouco utilizada pelos proprietários do hotel, e a outra, aberta posteriormente e hoje considerada a principal, está voltada para a Av. Fernando Costa. Nesta, um toldo protege a entrada e é necessário descer alguns degraus para se chegar à recepção, já que a avenida é em aclive, enquanto a rua é em declive. O cercamento do lote é, em parte, feito por muro e o restante a própria edificação cumpre esta função. O sistema construtivo utilizado foi embasamento em pedra, material vastamente utilizado com este fim a região, paredes externas de tijolo e divisórias em pau-a-pique. Algumas das paredes de barro foram substituídas por alvenaria de tijolo em reformas realizadas ao longo do tempo.

A planta original do prédio aproxima-se da forma de um “L”. Sua volumetria é variada: o bloco voltado para a avenida apresenta dois pavimentos, enquanto que o volume perpendicular a este varia entre um e dois pavimentos. No primeiro piso estão localizados a recepção, salão de refeições, cozinha, dispensa, área de serviço com lavanderia (ambientes construídos posteriormente), sala de TV e sala de espera – todos estes cômodos estão voltados para a avenida –, além de 12 quartos com banheiro e um hall com escada de acesso ao segundo pavimento e que se repete no andar seguinte.

No piso superior, os quartos, num total de 10 – sete deles voltados para a avenida –, não têm banheiros individuais, apenas de uso coletivo (um feminino e outro masculino). O acesso aos quartos é feito por longos e estreitos corredores em ambos os andares. Os pisos dos ambientes foram parcialmente substituídos. No primeiro pavimento, os revestimentos são de cerâmica (salas, quartos e banheiros), pedra (salão de refeição e corredor) e madeira (alguns quartos). No segundo andar, os quartos têm piso em paviflex, os banheiros são revestidos com cerâmica e corredor em emborrachado. Os cômodos recebem forros de madeira do tipo lambri e nas áreas de serviço há laje sobre a cobertura.

As fachadas voltadas para as ruas, devido à seqüência de aberturas que apresentam, dão um ritmo à composição. O plano voltado para a Av. Fernando Costa é composto por 8 aberturas em cada pavimento, sendo que no primeiro piso uma das janelas foi substituída pela porta de entrada do hotel. A distância entre os vão não é a mesma, no entanto eles estão dispostos de forma simétrica. Todas as aberturas têm vergas retas e enquadramento em massa, com diferenciação do formato de acordo com o andar em que se localizam. A porta é composta de duas folhas de abrir de madeira e as janelas têm fechamento em vidro com molduras em madeira e sistema de abertura do tipo guilhotina. No primeiro pavimento, elas apresentam grade de proteção em ferro fundido. Na parede em diagonal, uma porta protegida por toldo e uma janela superior formam a composição da fachada, juntamente com a inscrição “Hotel” no centro do plano. A fachada voltada para a R. Tiradentes pode ser dividida em duas partes: a primeira apresenta dois pavimentos, cada um composto de 4 janelas que seguem o mesmo padrão da fachada da avenida; a segunda parte é formada por um único andar com 8 janelas grandes e 4 menores (do tipo basculante que iluminam e ventilam os banheiros). Nesta última parte, as aberturas apresentam sobrevergas – inexistentes nos outros planos – e o enquadramento em massa tem forma diferenciada.

A cobertura é composta de duas águas, dispostas de acordo com a maior extensão dos volumes. Os beirais são cobertos por cimalha em massa.

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Proteção legal

Nenhuma.

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Estado de conservação

Excelente: o Hotel Casarão encontra-se em ótimo estado de conservação. Não foram encontrados problemas ou danos no imóvel e este mantém sua integridade estético-formal e construtiva em ótimas condições.

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Fatores de degradação

Observa-se que os toldos nas entradas da edificação são elementos de impacto visual no bem cultural e que devem ser retirados ou substituídos por outro tipo de proteção.

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Medidas de conservação

Deve-se inspecionar constantemente as telhas e calhas, a fim de evitar goteiras e infiltrações, principalmente nos períodos chuvosos;

Imunização de todo madeiramento;

Providenciar tratamento e limpeza de elementos com apodrecimento ou presença de mofo e infestação de cupim;

Os toldos das fachadas deveriam ser retirados ou substituídos por proteção que causasse menos impacto visual;

Não substituir qualquer elemento de composição e/ou estrutural sem antes a avaliação de um técnico especializado;

Inspecionar constantemente as áreas de risco e os ambientes para verificação de curtos e focos de incêndio;

Não realizar ligações elétricas improvisadas e, quando necessário, consultar um técnico especializado;

Instalar sistema de combate e prevenção contra incêndios e mantê-los sempre em perfeito funcionamento;

Realizar manutenção periódica das instalações hidráulico-sanitárias;

Evitar fixar quadros informativos, objetos e equipamentos com permanência constante que possam interferir na composição estética do bem.

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Intervenções

As intervenções realizadas no edifício tiveram como objetivo adaptar as instalações existentes às novas demandas dos clientes e dos proprietários. Não foi possível precisar a data em que ocorreram, no entanto estas foram observadas na época do levantamento para preenchimento da ficha de inventário.

Dois quartos do primeiro pavimentos foram transformados em banheiros de uso restrito para os hóspedes de cada apartamento. Uma das janelas da fachada voltada para a Av. Fernando Costa foi substituída por uma porta, atual entrada principal do hotel. Os pisos de carpete das áreas sociais e íntimas foram substituídos por cerâmica, pedra e paviflex. Foi construída uma lavanderia com área para secagem de roupas nos fundos do terreno. A escada de acesso ao segundo pavimento foi trocada de lugar, impedindo a abertura de uma das janelas, porém não se sabe qual era sua disposição original.

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Referências

ORAIS:

João Esteves da Fonseca. Entrevista, mar / 2006.

Vera Lúcia Esteves. Entrevista, jul / 2005.

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Informações complementares

Sem referências.

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Ficha técnica

RESPONSÁVEL PELAS INFORMAÇÕES: PREFEITURA MUNICIPAL DE ITANHANDU / MG.

Levantamento (Jul / 2005): Daniele Gomes (Arquiteta Urbanista) / Gabriela Gontijo (estagiária de turismo) / Éttore Cotini Filho (Presidente da Fundação Itanhanduense de Cultura) / João Paulo Lopes (Historiador) / Luciana Souza (Historiadora).

Elaboração (Dez / 2005 a Mar / 2006): Daniele Gomes (Arquiteta Urbanista), Hilário Figueiredo (Historiador) / João Paulo Lopes (Historiador).

Revisão (Mar / 2006): Memória Arquitetura.

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