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BENS INVENTARIADOS

Estruturas Arquitetônicas e Urbanísticas

Fazenda Sertão.
Sede. Carmo de Minas/MG.

Endereço
Estrada BR 460, a 14 km do distrito sede.
Distrito
Sede.
Município / Estado
Carmo de Minas / MG
Propriedade
Privada particular - Francisco Isidoro.
Responsável
Francisco Isidoro.

Situação de Ocupação

Próprio.

Uso atual

Residencial.

Imagens

Cartografia

Análise de entorno

A Fazenda Sertão é reconhecida pela produção cafeeira e pela excelência da sua produção, o que garantiu aos proprietários diversos prêmios nacionais. A fazenda possui ainda criação de gado de qualidade em seus currais e pastos. Para chegar à propriedade rural, deve-se pegar a BR 460, sentido Olímpio Noronha e seguir por uma estrada de terra. Totalizando, o percurso tem aproximadamente 14 km, a partir do centro de Carmo de Minas. Essa região abriga outras fazendas importantes do município – Fazendinha, Canaã e fazenda Cachoeira – além da cachoeira Canaã. Sua localização é bastante afastada, sendo uma das propriedades mais distantes do centro de Carmo de Minas. A propriedade está inserida entre grandes montanhas e vegetação abundante de médio a grande porte.

Além da edificação principal, a fazenda abriga grandes currais e diversos estábulos, em frente a casa, sendo que um deles está desativado e hoje é utilizado com estacionamento dos caminhões da fazenda. Situados abaixo no terreno, estão construções de apoio – comedouros, cocheiras, paióis e silos. À esquerda da residência, implantados acima no lote, ficam os galpões de produção cafeeira, com as máquinas do beneficiamento do grão. Os afastamentos laterais da casa abrigam belos jardins e garagem para um carro, na lateral esquerda. Na parte de trás da casa, fica uma pequena construção ao lado da cozinha – a casa de bonecas – e o pomar da fazenda.

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Histórico

Fazenda extremamente importante no contexto do patrimônio do município, a Fazenda Sertão é conhecida, nacional e internacionalmente, pela qualidade do café produzido, bem como por ser uma Fazenda referência na qualidade do gado Girolando criado. Vencedora de inúmeros prêmios de qualidade, entre café e gado, a Fazenda Sertão é uma das mais antigas da região, tendo sido construída há pouco mais de cem anos por Isidoro Antônio Pereira, avô do atual proprietário, Francisco Isidoro. Com a morte de Isidoro Antônio, a propriedade foi para as mãos de seu filho, José Isidoro Pereira, falecido há 22 anos, quando o imóvel passou para Francisco Isidoro – como se apresenta até então.

A sede da fazenda, ainda usada com residência, encontra-se em ótimo estado de conservação – tendo passado por várias intervenções, como reformas e ampliações, desde a sua construção. Uma das principais se deu há cerca de 43 anos, quando algumas paredes originais de pau-a-pique foram substituídas por paredes de tijolo, trocou-se o telhado, instalaram-se novas janelas e novos quartos foram construídos. Há pouco mais de dez anos uma nova reforma seria feita, esta bem mais modesta, consistindo em intervenções de manutenção apenas: troca do engradamento e do telhado, e manutenção de algumas paredes originais de pau-a-pique que permaneceram, na cozinha e alpendre.

Outra característica importante da sede da fazenda, é que ela serve como uma espécie de pequeno museu cuja temática é a própria fazenda, sua produção agropecuária e o cotidiano. Nas três primeiras salas da casa, há uma grande quantidade de objetos típicos das antigas épocas da casa: objetos de uso pessoal, selas e outros utensílios de montaria, uma série de revistas e recortes de jornais com várias matérias sobre a Fazenda Sertão etc. Interessante, também, que a casa está aberta à visitação pública, com até livro de assinaturas.  

O entorno da sede também é bastante característico, há um curral antigo – hoje desativado, sendo usado apenas para as criações premiadas – e um paiol, também desativado. Em frente ao casarão, no alto de um morro, vêem-se máquinas de beneficiamento de café – secadora e ensacadora –, sendo que a torrefação é realizada pela COCARIVE, a cooperativa local de café.

A Fazenda, até meados dos anos setenta, quando a CEMIG chega à região, tinha uma usina própria de geração de energia, hoje desativada. Outra referência importante da Fazenda Sertão é a máquina secadora de café, que consistiu na primeira da região, tendo sido instalada há pouco mais de sessenta anos atrás – as secadoras simbolizaram um enorme ganho de tempo para os cafeicultores, dado que diminuiu em muito o tempo de permanência do café nos terreiros convencionais. É bastante extensa a área com cafezal plantado, sendo que os grãos premiados vêm das plantas mais antigas, com cerca de oitenta anos – lembrando que uma planta de café comum tem, em média, uma vida produtiva de quarenta anos – o que atesta a excepcionalidade do caso em questão.

A Fazenda Sertão faz parte de um conjunto de fazendas da família, todas voltadas, igualmente, para a produção de café e criação de gado Girolando. Antigamente as sedes eram ligadas por linhas telefônicas particulares – de modo que em cada uma se encontrava um aparelho. Tal telefone, ainda hoje conservado e em funcionamento – como telefone fixo convencional, pois foi convertido, faz parte do acervo da casa-museu e é digno de destaque como bem móvel da Fazenda e do município. Revela uma época de uma dinâmica e desfrute de poder dos produtores de café e gado que não voltam mais.

A Fazenda Sertão tem mais de cinqüenta funcionários, possuindo mais de 300 hectares de terra e distando cerca de 11 km do centro da cidade. 

 

Notas

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Descrição

A Fazenda Sertão com características coloniais está implantada em terreno em declive, delimitado por cercas de madeira; a edificação principal tem fechamento lateral feito por muro com grade. A residência desenvolve-se em volumetria térrea com porão alto, construído para aproveitar a declividade do terreno, e utilizado como depósito. O acesso a casa é feito pela lateral da edificação através de uma varanda em “L” que se estende até a fachada frontal. Ela tem piso de cerâmica vermelha e forro de madeira tipo lambri. O guarda-corpo da varanda é de argamassa com parte dele vazado por cobogós também de argamassa na cor azul.

A fachada principal é assimétrica e possui seis vãos: uma porta de duas folhas de madeira e uma janela com vedação de telha metálica, no porão; uma porta e três janelas do pavimento principal, situados em planos distintos na fachada – as duas janelas de madeira em primeiro plano, seguido por uma janela em esquadria metálica e, ao fundo, a porta de entrada com uma folha em madeira. A janela de esquadria metálica é de correr e tem vedação de vidro com bandeiras também de vidro. As duas janelas de madeira possuem duas vedações – externamente, o fechamento é de vidro e o sistema de abertura é do tipo guilhotina e, do lado de dentro, a vedação é de duas folhas de madeira. Essa janela é utilizada na maioria dos cômodos da casa, sendo que, na cozinha, a janela é de correr e, nas outras áreas molhadas, utiliza-se as aberturas basculantes. As vergas são retas e os enquadramentos de madeira pintada na cor azul (janelas de madeira) e de argamassa (esquadrias metálicas). As paredes externas são revestidas.

Construída em estrutura autônoma de madeira e vedação de tijolos cozidos (cozinha e alpendre) e pau-a-pique (demais cômodos da casa), a edificação possui partido profundo. Depois de passar pela varanda, chega-se a sala de estar, com o escritório em frente e, do lado direito um quarto, cômodo situado mais a frente na casa – utilizado atualmente como museu que relata a história da fazenda e da produção cafeeira – e a circulação principal. O corredor liga a sala de estar à sala de jantar e, voltados para ele, ficam dois dormitórios à direita. À esquerda, outra circulação, um pouco menor, faz a ligação com dois banheiros e um pequeno quarto. Na parte posterior da edificação, fica uma despensa, a copa e duas cozinhas. Os pisos são de tabuado largo de madeira (salas de estar e jantar, circulação principal e quartos) e cerâmica vermelha (varanda, banheiros, cozinha, menor circulação, copa e despensa). Os forros dos cômodos são de madeira e tem vários tipos: Lambri (varanda, sala de jantar, três quartos, banheiros), Saia e camisa (sala de estar, escritório, banheiros) e tabuado (copa e despensa). As duas cozinhas possuem forros tipo gamela; a última cozinha tem uma mistura de tipo de forros – parte do teto é revestido com lambri, parte com forro tipo gamela e um outro pedaço não tem forro.

A cobertura do edifício é formada por cinco águas com manto em telhas francesas, cumeeira perpendicular à fachada frontal e coroamento de cachorrada de madeira. A cozinha situada no último cômodo da casa e a despensa possuem coberturas independentes de uma água. A cozinha tem vedação de cerâmica plana enquanto a despensa utiliza telhas de fibrocimento.

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Proteção legal

Nenhuma.

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Estado de conservação

Bom: os problemas encontrados referem-se a desgaste da pintura externa, manchas de umidade nas fachadas e pisos da cozinha e da varanda desgastados.

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Fatores de degradação

Os principais fatores de degradação do imóvel dizem respeito à ação de intempéries e desgaste natural dos materiais.

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Medidas de conservação

- Imunizar todo o madeiramento;

- Reparar as fachadas danificadas por meio de aplicação de nova camada pictórica;

- Recuperar os pisos internos;

- Devem-se inspecionar constantemente as telhas e calhas, a fim de evitar goteiras e infiltrações, principalmente nos períodos chuvosos;

- Conter a umidade ascendente na edificação;

- Providenciar tratamento e limpeza de elementos com apodrecimento ou presença de mofo e infestação de cupim;

- Inspecionar constantemente as áreas de risco e os ambientes para verificação de curtos e focos de incêndio;

- Realizar manutenção periódica das instalações hidráulico-sanitárias;

- Não substituir qualquer elemento de composição e/ou estrutural sem antes a avaliação de um técnico especializado;

- Não realizar ligações elétricas improvisadas e, quando necessário, consultar um técnico especializado.

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Intervenções

A edificação-sede da fazenda passou por varias intervenções desde sua construção, entre reformas e ampliações. Uma das principais aconteceu há aproximadamente 43 anos: algumas paredes originais de pau-a-pique foram substituídas por vedações de tijolo, a cobertura foi trocada, novas janelas foram instaladas e novos quartos construídos. Outra reforma aconteceu a cerca de 10 anos, esta com apenas intervenções para manutenção: troca da vedação e do enquadramento do telhado, e manutenção de algumas paredes originais de pau-a-pique que foram mantidas na reforma de 1943, localizadas na cozinha e alpendre.

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Referências

ORAIS:

Vitor Leopoldino Mota. Entrevista, out/2007.

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Informações complementares

Sem referências.

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Ficha técnica

RESPONSÁVEL PELAS INFORMAÇÕES: PREFEITURA MUNICIPAL DE CARMO DE MINAS/MG.

Levantamento (Out/2007): Aline Medeiros (Arquiteta Urbanista) / Márcio Bustamante (Historiador) / Vanessa Regina Freitas (Arquiteta Urbanista) / Cínthia Dias Vilela (Chefe do Departamento de Turismo).

Elaboração (Out/2007 a Jan/2008): Aline Medeiros (Arquiteta Urbanista) / Márcio Bustamante (Historiador).

Revisão (Fev/2008): Memória Arquitetura.

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