![]()
É novo por aqui? Faça seu cadastro, é simples e rápido.
Barragem Posses. Estrada para Posses a 07 km do Bairro Jardim.
Posses. Itanhandu/MG.
Próprio.
Vago.
A Barragem das Posses insere-se em um contexto geográfico considerado de alto interesse de preservação ambiental, dentro da chamada APA Serra da Mantiqueira (Área de Proteção Ambiental), criada pelo Decreto nº 91.304, de 03/06/1985, que abrange a porção sul do município de Itanhandu. Segundo o Plano de Ação do Corredor Ecológico Serra da Mantiqueira (2006):
“Os objetivos de criação da unidade (APA) incluem proteger parte de uma das maiores cadeias montanhosas do sudeste brasileiro; a flora endêmica; os remanescentes dos bosques de araucária, a continuidade da cobertura vegetal do espigão central e as manchas de vegetação primitiva; a fauna e a flora, principalmente as espécies ameaçadas de extinção.(p.18)”.
Localizado na zona rural de Itanhandu, distante 7 km do Bairro Jardim, a estrutura remanescente da antiga usina hidrelétrica foi instalada no leito do Rio Verde, um dos principais rios formadores da bacia do Rio Grande, responsável pelo abastecimento de grandes centros urbanos, doméstico, geração de energia, turismo e proteção de comunidades aquáticas.
De acordo com a altitude verificada em carta topográfica (1300 metros aproximadamente) e com as observações em campo, verifica-se na área de entorno da Barragem das Posses, a predominância de Mata Pluvial (variação de mata atlântica), áreas de pastagem e cultivo e mata de transição (mata rala), além de alguns indivíduos arbóreos de araucária e pequenas manchas de candeial. Foram identificadas ainda, oito edificações abandonadas de antigas residências dos chamados “batateiros”, que cultivavam tal gênero alimentício no entorno e uma escola municipal desativada. A trilha que leva até á estrutura da barragem encontra-se bastante fechada pela vegetação sem apresentar maiores dificuldades, ou ainda, pode-se percorrer andando em cima da tubulação, neste caso, o cuidado é redobrado devido ao limo escorregadio aderida à esta.
Construída por volta dos anos de 1956/57, a Barragem do Bairro das Posses está situada em localidade onde, originalmente, a colonização foi feita por plantadores de batata – apesar de, no entanto, a construção dessa estrutura não estar ligada às necessidades desses lavradores.
A Barragem foi erigida pelo então prefeito de Passa Quatro, Márcio Galvão, em época em que a região não era, ainda, coberta pela prestação de serviços da CEMIG. Como se disse, a função primordial da construção desse bem era mesmo a fim de que servisse ao município citado, apesar do fato de estar localizado em território que é do patrimônio do município vizinho, ou seja, Itanhandu. Quanto à Usina, ou melhor, a maquinaria propriamente dita que gerava a energia elétrica, está localizada do outro lado do Rio Verde, já no município de Passa Quatro – aonde a água chegava por meio de uma extensa tubulação de cerca de um metro de diâmetro, que se encontra, atualmente, com vários pontos comprometidos.
A Usina e a Barragem funcionaram até a chegada da CEMIG na cidade, por volta da década de 1970. Em seguida, o usufruto dessas estruturas foi passado para as mãos da Siderúrgica Ferro-Liga, hoje extinta. Há pouco mais de dez anos, os bens foram vendidos para a AES Minas PCH Ltda.. Essa última, por sua vez, tem investido em PCH’s (Pequenas Centrais Hidrelétricas) em outros municípios dessa região do Sul de Minas Gerais – em cidades como Caxambu e Cruzília, totalizando nove empreendimentos no estado mineiro. Esses investimentos atendem a uma tendência mais ampla de geração de fontes alternativas de energia, em função das atuais crises pelos quais o país vem passando e devido à pressão dos discursos ambientalistas em favor da descentralização dessas atividades a fim de melhor controlar os impactos ambientais. Segundo informações fornecidas pelos entrevistados, a AES tem a intenção de, a curto ou médio prazo, fazer com que as estruturas em questão voltem a funcionar e gerar energia elétrica complementar para o município de Passa Quatro e região.
A tubulação metálica foi parcialmente trocada na década de 80 pela extinta Siderúrgica Ferro Liga quando esta comprou da prefeitura de Passa Quatro na tentativa de reativar a usina. Com o abandono das áreas de cultivo devido à retirada dos “batateiros” do local, percebe-se uma sucessão ecológica natural da cobertura vegetal no entorno do bem inventariado. Há pouco mais de 10 anos uma edificação inacabada, próximo do ponto onde o canal junta-se com a tubulação metálica, foi construída para servir de apoio aos trabalhadores em uma nova tentativa de utilizar a captação de água, desta vez, pela prefeitura de Itanhandu, para abastecer povoados mais próximos. No entanto, essa iniciativa foi embargada pelo atual proprietário que detém o direito de uso da estrutura e da captação de água por meio de concessão.
A Barragem das Posses, estrutura arquitetônica de antiga usina hidrelétrica, instalada no leito do Rio Verde, foi edificada em estrutura autoportante de tijolos de barro sobre base de concreto e blocos de pedras remanejadas do próprio local. A mureta de alvenaria, revestida de reboco, tem
Bom: não foram detectados problemas estruturais que comprometam a estabilidade da edificação. O embasamento de pedra encontra-se integralmente preservado, enquanto a mureta em alvenaria apresenta desprendimento e trincas do reboco. O canal de captação de água para a casa de máquinas esta, na maior parte, assoreado e encoberto por vegetação rala. A tubulação encontra-se bastante comprometida por ação corrosiva de ferrugem e amassados por impacto de pedras e troncos caídos. Acessórios complementares como os registros mecânicos da comporta e as estruturas metálicas na superfície da banheira da barragem estão incompletos e incapazes de exercer função original. No que diz respeito ao entorno do bem, apesar de manter significativa mata ciliar, a paisagem foi modificada ao longo do tempo pelo cultivo e pastagem de encostas excessivamente íngremes, provocando entre outros impactos, o assoreamento do rio Verde e conseqüentemente á área represada pela barragem.
Os principais fatores de degradação da estrutura arquitetônica relacionam-se com a ação de intempéries, desgaste natural dos materiais ao longo do tempo e falta de manutenção e fiscalização periódica das instalações da barragem. Principalmente, o longo período de desativação da usina hidrelétrica, extinguindo a função original da barragem, contribui para um quadro de abandono do imóvel remanescente.
Os aspectos naturais que compõem o entorno da barragem, de um modo geral, perdeu grandes extensões de vegetação primitiva devido à ausência de um manejo apropriado na prática de atividade agrícola, resultando um processo de erosão e de empobrecimento do solo, associado ao desmatamento irracional e conseqüentemente ao assoreamento do curso d’água.
Recomenda-se a aplicação da própria legislação ambiental brasileira. A vegetação deve ser preservada em uma extensão de 50m em ambas as margens para os cursos d’água que tenham de 10m à 50m de largura e nas encostas com declividade superior a 45º, além de outras medidas previstas no Código Florestal (lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965) que define as áreas de preservação permanente (APP’s). O objetivo é impedir qualquer tipo de uso, em especial nas margens e nos topos de morro (áreas de recarga do lençol freático), re-introduzindo as espécies nativas do bioma equivalente. Dessa forma, pretende-se desacelerar os processos erosivos, proteger o sítio natural, favorecer o asilo da fauna e flora; dando perenidade ao recurso hídrico, além de favorecer o bem estar público. Quanto à estrutura arquitetônica, recomenda-se a retirada do mato crescente do canal de captação de água, recomposição das peças faltantes dos registros mecânicos de controle manual das comportas e revestimento do reboco nas partes descoladas. A tubulação metálica precisa quase que completamente ser substituída para exercer a função original. É recomendado também a instalação de placas de aviso alertando o perigo de andar sobre a tubulação e de possíveis trombas d’água que colocam em risco aqueles que permanecerem próximos da barragem em períodos de chuva.
A tubulação metálica foi parcialmente trocada na década de 80 pela extinta Siderúrgica Ferro Liga quando esta comprou da prefeitura de Passa Quatro na tentativa de reativar a usina. Com o abandono das áreas de cultivo devido à retirada dos “batateiros” do local, percebe-se uma sucessão ecológica natural da cobertura vegetal no entorno do bem inventariado. Há pouco mais de 10 anos uma edificação inacabada, próximo do ponto onde o canal junta-se com a tubulação metálica, foi construída para servir de apoio aos trabalhadores em uma nova tentativa de utilizar a captação de água, desta vez, pela prefeitura de Itanhandu, para abastecer povoados mais próximos.
BIBLIOGRÁFICO E DOCUMENTAIS:
VALOR NATURAL. COSTA, Cláudia e HERMANT, Gisela (coordenação). Plano de Ação do Corredor Ecológico da Mantiqueira. Valor Natural. 2006.
ELETRÔNICAS:
ORAIS:
RESPONSÁVEL PELAS INFORMAÇÕES: PREFEITURA MUNICIPAL DE ITANHANDU/MG.
Levantamento (Jan/2008): Márcio Bustamante (Historiador) / Mariana S. Ribeiro (Arquiteta Urbanista) / Rafael Araújo Teixeira (Turismólogo).
Elaboração (Jan /2008): Márcio Bustamante (Historiador) / Mariana S. Ribeiro (Arquiteta Urbanista) / Rafael Araújo Teixeira (Turismólogo).
Revisão (Abr/2008): Memória Arquitetura.
O Portal do Patrimônio Cultural agradece a gentileza da comunicação de possíveis falhas e/ou omissões verificadas nesta página.
Para isto, acesse a seção Fale Conosco.
| Topo da página | Voltar |