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Cristo Triunfo. Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição.
Sede. Itanhandu/MG.
Por motivo de segurança, a localização específica do bem não será divulgada.
Gesso; madeira; algodão; peruca de cabelos naturais/ escultura; policromia; encaixe; costura.
Na base da imagem, mais precisamente na parte em que o bem se apóia ao chão, há a assinatura do artista com as palavras: “Máximo Del Tavero, São Paulo, 1928”.
Figura masculina adulta, cujas proporções assemelham-se a de uma pessoa de porte médio. A tendência predominante é a de um Cristo ‘europeizado’: pele clara, barba e olhos castanhos, face estreita e nariz fino. Quanto à barba, a mesma encontra-se com o bigode simetricamente configurado, além dos seus respectivos fios serem espessos com estrias onduladas; o corte é bipartido e pronunciado para baixo. O olhar se fixa para frente, cuja cor escura denota um estado de permanente compenetração. No alto da fronte há uma superfície responsável pela fixação da peruca natural; esta última consiste na reunião de vários fios escuros, os quais conformam um aspecto assimétrico. Existe, nessas circunstâncias, uma tendência em jogar todo o volume para os dois lados e no sentido das costas. O corpo ereto e atlético confere a postura de imponência de Jesus. Valorizam-se os torneamentos musculares das pernas, além das riquezas de detalhes dos dedos dos pés e das mãos. Aliás, os braços consistem nos únicos fragmentos de madeiras, cujos encaixes se fazem bem articulados na região correspondente ao cotovelo; não se observa uma intenção de se sinalizar para algo, já que as duas mãos estão voltadas para trás. As vestes de gesso encontram-se na tonalidade de rosa claro, as quais se assemelham a de uma roupa íntima que tonifica ainda mais o corpo. Já o vestuário alusivo à túnica branca não deixa de referendar a simplicidade da imagem: sem maiores cortes estilísticos, o longo apresenta-se como indumentária marcadamente singela. Por fim, a posição do Cristo em um suposto local plano sugere a movimentação do andar tranqüilo e sereno, corroborado com a feição segura do rosto; em suma, garante-se o triunfo do ato simbólico.
Não foram encontradas evidências que atestem intervenções mais incisivas na imagem.
A mescla dos materiais ‘madeira’ e ‘gesso’ revela-se como grande trunfo do artista, já que o mesmo soube articulá-los muito bem. Não há uma ruptura visível, característica esta que revela o refinamento da destreza do artesão Máximo Del Tavero. De uma maneira geral, inexiste a explicitação de um ‘modo de fazer’ muito complexo, porém se nota todo um cuidado para a harmonização da peça. O corpo do Cristo é mais delineado nos membros inferiores, os traços faciais expressam-se comedidamente, além do cabelo e vestuário não terem a garantia de serem os originais. Por outro lado, destaca-se a grande estatura da imagem, muito semelhante à altura de uma pessoa de porte médio. As mãos e os pés assemelham-se a de uma pessoa viva, na medida em que os dedos abarcam pequenos detalhes.
Os traços escultóricos do corpo são por demais simples, excetuando-se a sutileza de detalhes dos membros superiores e inferiores – principalmente o trabalho com os dedos. A modelagem do gesso em grande parte da imagem segue uma tendência geral observada no século XX, enquanto os braços de madeiras e suas respectivas articulações sofrem influências de períodos anteriores. Dessa forma, há uma espécie de hibridismo de tendências estilísticas, as quais por sua vez não se enquadram em parâmetros muito rígidos. Ademais, existe a intencionalidade do artista no que toca à aproximação da ‘realidade vivida’: o tamanho da imagem é compatível com a estatura média de uma pessoa, além dos acréscimos dos cabelos e o aspecto geral do olhar em profundidade. Muitasdas vezes, tem-se a sensação de que o Cristo do Triunfo representado trata-se, de uma pessoa real, tamanha a naturalidade dos cabelos e da altura.
As representações do Cristo do Triunfo priorizam a simplicidade dos traços: postura serena, vestuário simples e ausência de maiores adornos como a coroa de espinhos. A veneração da imagem acontece em várias partes do mundo, principalmente nas ocorrências da Semana Santa. A escultura é, portanto, do tipo processional, na medida em que prioriza esse rito religioso. Em temos simbólicos, o Cristo do Triunfo traduz a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém, pouco antes da realização da Última Ceia.
As características desse bem móvel assemelham-se de sobremaneira às imagens do Nosso Senhor dos Passos e da Nossa Senhora das Dores (inventariadas nas fichas anteriores). Novamente, as palavras do sr. Bilo são de aguçada importância, uma vez que o entrevistado confirmou que os três objetos sacros chegaram à matriz na mesma oportunidade. Assim sendo, o ano de 1928 corresponde ao da fatura, além da autoria de Máximo Del Tavero estar inscrita na base da imagem da santa. Os documentos disponíveis na sacristia da matriz atestam que a imagem consistiu em uma doação da família Gomes Pinto; de acordo com o Livro do Tombo, há a referencia temporal “Campanha, 17 de março de 1928”. Os itinerários históricos mostram-se semelhantes, sendo necessário recapitular o as informações mais uma vez: a imagem chegara à localidade durante a gestão paroquial do Padre Isidoro. Este último permaneceu à frente dos trabalhos na igreja durante o período de 1911 a1937; ou seja, a hipótese de que se trata de um objeto de finais da década de 20 sustenta-se ainda mais nessas circunstâncias. Entretanto, não foi possível confirmar se o bem em questão fora adquirido diretamente das mãos do artista Máximo Del Tavero – Bilo acredita que sim, já que a cidade de São Paulo (local assinado pelo escultor) era uma grande referência para os itanhanduenses no que se refere ao comércio de peças religiosas. Independentemente disso, Vicente Silva e outros anônimos fiéis confirmam que o Cristo do Triunfo já figurava no acervo da antiga matriz demolida quando da construção da atual. Quanto às intervenções dúvidas e incertezas pairam como obstáculos para a reconstrução do presente histórico; Bilo afirma que a imagem não recebeu ainda reformas profundas, versão esta que se sustenta devido ao fato da imagem deixar o abrigo do segundo andar somente uma vez ao ano, mais precisamente na Semana Santa. Apenas a título de reforço, cumpre sublinhar a utilização do Cristo do Triunfo nas tradicionais procissões pelas ruas da cidade desde meados da década de 30, antecedendo as festividades da Páscoa.
BIBLIOGRÁFICAS E DOCUMENTAIS:
ATTWATER, Donald. Dicionário de Santos. São Paulo: Art Editora, 1991.
LIVRO DO TOMBO – volumes entre os anos de 1906/1950 e de 1950/aos dias atuais.
NILO, Dilza Pinho. Pássaro de Pedra – Itanhandu: roteiro lírico. Belo Horizonte: Gama Artes Gráficas, s/d.
ORDINE, Maurício. A Igreja Matriz de Itanhandu (texto impresso). Itanhandu, s/d.
TAVARES, Jorge Campos. Dicionário de Santos. Porto: Lello & Irmão, 1990.
ELETRÔNICAS:
www.ipac.iepha.mg.gov.br. Acesso em jan/2006.
ORAIS:
Vicente Silva (Bilo). Entrevista, jan/2006.
RESPONSÁVEL PELAS INFORMAÇÕES: PREFEITURA MUNICIPAL DE ITANHANDU/MG.
Levantamento (Jan/2005): Hilário Figueiredo Pereira Filho (Historiador) / Joseana Costa (Arquiteta Urbanista).
Elaboração (Jan e Fev/2006): Hilário Figueiredo Pereira Filho (Historiador) / Joseana Costa (Arquiteta Urbanista).
Revisão (Mar/2006): Memória Arquitetura.
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